Quase uruguaio, Gedoz celebra chance no Brasil: "Não pude dizer não"

Revelado pelo Defensor, atacante chegou a ser cotado na Celeste, mas ganha chance na seleção sub-21.






O sotaque não deixa mentir: Felipe Gedoz, uma das novidades da seleção brasileira sub-21, fez boa parte de sua carreira profissional longe do país onde nasceu. Destaque do Defensor Sporting, do Uruguai, na última Libertadores, o atacante chegou a ser cogitado para defender a Celeste, mas não resistiu ao chamado da terra natal. E, em um português um pouco arrastado, parando por momentos para formular a frase correta, garante que o foco está no Brasil.

- Para mim é um sonho estar aqui. Não sou muito conhecido no Brasil, mas graças a Deus pude mostrar meu futebol na Libertadores. Todo jogador sonha jogar em sua seleção local, comigo não é diferente. Foi muito rápido para mim. Tive especulações para jogar na seleção uruguaia, mas não teve nada concreto. Depois que chegou a convocação do Gallo não pude dizer não – contou o jogador, de 21 anos.

A carreira de Gedoz é rápida e curiosa. Ele é responsável pelo início do ex-jogador Eliomar Marcón como empresário. Com passagens pelo México e pelo Uruguai, o atacante estava encerrando a carreira no Guarani de Venâncio Aires quando viu um menino talentoso de 17 anos atuando pelo Atlético de Carazinho, na segunda divisão do Campeonato Gaúcho. Viu potencial e decidiu investir em Felipe.

- Ele tinha uma qualidade imensa com a bola, mas sem a bola ficava perdido em campo. Vi um jogador de grande futuro, e já tinha a ideia de seguir no futebol como empresário, porque tenho um bom acesso no Uruguai. Conversei com ele, falei com os pais e fechamos um projeto para colocá-lo em dois anos num time profissional uruguaio. Em um ano e meio o Felipe já estava no profissional do Defensor – relatou Eliomar.

Felipe chegou ao Defensor em 2011 e estreou profissionalmente no ano seguinte, pelo Campeonato Uruguaio. Logo se firmou: em 2014, foi um dos destaques da equipe na Libertadores - marcou quatro gols - e chamou a atenção. Tanto que, em agosto, foi comprado pelo Club Brugge, da Bélgica, por € 1,5 milhão (cerca de R$ 4,5 milhões). Desde então, virou titular da equipe nas sete partidas que disputou.

Problemas para se adaptar no exterior:

A trajetória, porém, não foi fácil. Gedoz sofreu para se adaptar a outro país. Antes, ele já havia se aventurado no exterior, mas acabou voltando. Os primeiros meses no Uruguai foram difíceis, a ponto de Eliomar pedir ajuda a um sócio uruguaio.

- O Felipe teve problemas de adaptação, queria voltar, e nós fizemos um esforço muito grande para mantê-lo no Defensor. Convidei um colega meu, Marcelo Tejera, para cuidar do Felipe no Uruguai, levá-lo para jantar, acolhê-lo. Depois de cinco meses, a mãe do Felipe foi morar com ele.

Gedoz acredita que as dificuldades o ajudaram a se fortalecer. Agora na Bélgica, mais experiente, vem suportando bem o período de adaptação.

- Jogador de futebol tem que sofrer para ser alguém na vida. Eu cheguei no Uruguai com muitas dificuldades, mas fui me adaptando. Na Bélgica pensei que a adaptação seria muito mais difícil, com outro idioma, clima diferente, mas estou muito feliz – sorri o jogador.

Há coisas, porém, que ficam. O sotaque castelhano segue presente em Felipe, uma espécie de recordação dos tempos de Uruguai, que, curiosamente, o ajuda a se entrosar num elenco em que sete jogadores falam espanhol.

- Foram três anos no Uruguai, nenhum brasileiro lá, todo o tempo falando espanhol... Agora na Bélgica também. Por incrível que pareça, cheguei lá e somos sete que falam espanhol. Então fica mais tranquilo.

Quase uruguaio

O sotaque quase tornou-se definitivo para Felipe. Destaque no Uruguai, ele passou a ser cotado para defender a seleção local. Balançou com a ideia, mas o chamado de Gallo pesou. O atacante, aliás, é um dos exemplos do trabalho de mapeamento feito pelo treinador para evitar que promessas brasileiras acabem escolhendo outros países.

- Não era só o Uruguai, havia outros países interessados. O Felipe é um atleta que vinha se destacando pela Libertadores, me chamou bastante a atenção, e esperei o momento certo para convocá-lo – explicou Gallo.

- Acho que o Gallo fez bem. Mais cedo ou mais tarde, o Uruguai chamaria o Felipe. E acho que ele iria. Mas agora ele está muito feliz – ponderou Eliomar.

Curiosamente, o mesmo interesse demonstrado pelo Uruguai foi o que clubes brasileiros manifestaram após a Libertadores.

- Não houve propostas concretas, mas tinha uns quatro clubes brasileiros interessados nele. Mas aí houve problemas com o Defensor. Eu teria levado o Felipe para um clube brasileiro, mas poucos pagavam o que ele vale. O Brugge pagou.

Assim, Gedoz deve seguir sua carreira como começou: longe dos gramados brasileiros. Algo que geralmente desperta a desconfiança da torcida, pouco paciente com aqueles que não se fizeram notar no país. Mas Felipe mostra otimismo e se apresenta para quem ainda não o conhece.

- Se fosse uma desvantagem, eu não estaria aqui. Tenho que mostrar o mesmo futebol que vinha mostrando no Uruguai, com a mesma seriedade e tranquilidade. Eu gosto muito de jogar pelos lados de campo, como se fosse um ala mais ofensivo, com velocidade.
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